terça-feira, 25 de agosto de 2015

isto não é bem um fado


"isto não é bem um fado"

o que ouviste quando estavas bem
é o que vais dizer mais vezes
e o que falas quando estás sem
é o que vais cantar nos dias trezes

e sabes o que funciona
está-te debaixo da língua
e tens as palavras na saliva à tona
e já não sabes estar à mingua

faz a trave mestra 
p’ró palácio não ruir
acorda entre o vime da cesta
e tudo te dá vontade de rir

e mesmo quando arrasto a voz
é p’ra dizer não estamos sós

e mesmo quando grito
faço da dor um velho mito

e se o que canto de der vontade de chorar
isso é mentira que o teu riso não tem par

e se for lenta a canção
e se nasci no país errado
tiro o bolor do teu pão
porque isto não é bem um fado

in "livro de canções do Manual da Felicidade" de João Negreiros

Letra e voz - João Negreiros
Composição - Pedro Lima
Guitarra - Edgar Ferreira
Teclas - Pedro Lima
Violoncelo - Beatriz Ferreira
Sonoplastia - Miguel Guerra
Edição - Ana Catarina Miranda
Co-produção: Bolor Teatro e Teatro Universitário do Minho
Apoios: Instituto Português do Desporto e da Juventude; Universidade do Minho; Associação Académica da Universidade do Minho; Centro de Pesquisa e Interacção Cultural

sábado, 15 de agosto de 2015

Nuance


"nuance"

a parte do dia de que gosto mais és tu
a parte do corpo de que gosto mais é nu
a parte da vida de que gosto mais é agora
o tempo do tempo de que gosto mais é esta hora

e tudo o que vejo no nosso intervalo é a fresta
e tudo o que é bom e tudo o que é mais é o que resta
a parte de ti de que gosto mais é a festa
a parte de mim de que gosto mais é esta

e a terra de que gosto mais é a minha cidade
e o que sou até aqui é a idade

e esta vista é feita p’rós olhos
e o que é bonito é para se ver
para além da roupa és linda sem folhos
e quando estás nua és bem mais mulher

in "livro de canções do Manual da Felicidade" de João Negreiros

Letra e voz - João Negreiros
Guitarra - Edgar Ferreira
Composição - Benjamim Vaz
Sonoplastia - Miguel Guerra
Edição - Ana Catarina Miranda
Co-produção: Bolor Teatro e Teatro Universitário do Minho
Apoios: Instituto Português do Desporto e da Juventude; Universidade do Minho; Associação Académica da Universidade do Minho; Centro de Pesquisa e Interacção Cultural

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A complexa associação


"Rock and roll poetry self esteem hipno coiso e tal... acho que é assim que se denomina este novo género musical. Sou um pioneiro! Espero que se divirtam e que curtam este som. Chama-se "A complexa associação" e é a minha humilde maneira de celebrar o que somos."

"A complexa associação"

As memórias são o que te lembras delas
o que pensas é tudo o que escolhes
os aniversários são mais que as velas
e as canções são mais do que os headphones

já foste muita coisa
já estiveste em muito lado
existes como o que poisa
mas já voaste um bom bocado

lembra-te agora de tudo 
e de como tudo foi bom
lembro-me e expludo 
como se descobrisse um dom

um que me faz ver para trás
é que já senti muito muitas vezes
sei o que me satisfaz
e já lá estava quando era um bebé de meses

e se estiver ansioso e não quiser
lembro-me da vez em que estive mais calmo
e se tiver saudades da mulher
procuro outra          invento uma          imagino-a aqui e as saudades espalmo

e tudo o que me fazem
é o que faço a mim próprio
para viajar por mim como uma aragem
não preciso de telescópio

sou o que penso de mim e sou são
sou o que me lembro
sou uma complexa associação
e sou o meu melhor membro

in "livro de canções" de João Negreiros

Letra e voz - João Negreiros
Guitarra - Edgar Ferreira
Violoncelo - Beatriz Ferreira
Piano - Pedro Lima
Composição - Benjamim Vaz
Sonoplastia - Miguel Guerra
Edição - Ana Catarina Miranda
Co-produção: Bolor Teatro e Teatro Universitário do Minho
Apoios: Instituto Português do Desporto e da Juventude; Universidade do Minho; Associação Académica da Universidade do Minho; Centro de Pesquisa e Interacção Cultural

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Ode ao homem bom


Ode ao homem bom
Eu gostava de gostar dos homens que gostam de mim mas os filmes e as amigas que me põem triste disseram-me que os homens a sério são os que não gostam.
Li uma vez numa revista ou vi numa fotografia dessa revista que os homens maus eram charmosos. Eu nessa altura não sabia o que queria dizer charmoso mas pela fotografia acho que era um homem que usava um cigarro como uma arma e que tinha um carro grande muito difícil de estacionar.
Eu gostava de gostar de um homem bom que me amasse incondicionalmente. Um homem que me desse atenção, que não soubesse jogar ao amor, nem jogar ao sexo, nem jogar às paixões, nem jogar ao “vamos ver quem ama mais e vamos ver quem ama menos e quem ama menos ganha e quem ama mais perde”.
Eu quero um homem, não precisa de ser bonito para as revistas, nem precisa de ser bonito nos outdoors, nem precisa de ser bonito para as minhas amigas tristes, só precisa de ser bonito para mim.
Eu, antigamente, achava que não conseguia controlar o amor. Achava que o amor não se escolhia e que se me calhasse um cabrão para amar teria que ser infeliz com ele porque era um bom partido. Tive o coração partido à conta do bom partido. Agora prefiro um homem por inteiro.
Não vai ser a vida a escolhê-lo para mim, nem a revista a escolhê-lo para mim, nem as amigas tristes a escolherem-no para mim. O meu homem vou ser eu a escolhê-lo, não vai ser amor à primeira vista, vai ser amor à primeira festa.
Vou escolher o que souber sorrir, vou escolher o que me fizer rir, vou escolher o que me fizer crescer, vou escolher o que me escolher ao mesmo tempo, vou escolher o que for perfeito, não por ser perfeito, mas por me dar aquilo de que preciso.
Pela primeira vez quero exactamente aquilo de que preciso. Preciso de um companheiro, não preciso de um amante. Preciso de um porto, não preciso da tempestade. Preciso de companhia, não preciso de ver filmes ruins sem ter quem goze com eles.
Pode conduzir um Fiat Punto, um Renault Clio, ou um Fiat Panda que comprou por 780 euros a uma tia solteira.
Eu quero um homem bom. Os homens bons têm charme. Ainda não sei o que o charme é mas o meu homem bom vai tê-lo.
Amo-te, meu amor. Não sei quem és mas vejo-te com nitidez. Conheço-te como a mim e amo-te para sempre com a certeza de quem percebeu finalmente que o amor só pode ser uma coisa boa.  

Texto do livro "O Manual da Felicidade" de João Negreiros

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Workshop - O Manual da Felicidade


O Manual da Felicidade é a arte de mudar a tua vida para aquilo que queres que ela seja.
Imagina que podias ter à tua disposição uma fonte de inspiração… Imagina que podias ter alguém que te ajudaria a colocar em palavras aquilo que precisas de dizer, pensar, fazer, interpretar para conseguires atingir aquilo que queres ser. Imagina que a tua vida dava um filme e que és tu que decides o argumento. E, se decides o argumento, então podes decidir o teu futuro.
 O workshop – O Manual da Felicidade – sob direcção de João Negreiros, escritor, coach e Master em Programação Neurolinguística, destina-se a orientar as pessoas a serem os atores da sua própria vida, levando-as a construírem, assim, o seu manual de felicidade.
A sessão será desenvolvida a partir dos desafios, dificuldades e objetivos colocados pelos participantes, com o intuito de se atingir uma maior eficiência e especificidade na consecução dos mesmos, recorrendo a a técnicas de artistic e creativity coachin e aliando a arte ao desenvolvimento pessoal.

Local
VILANET, Av. Vasco da Gama, Edifício Chavão, Loja 15
4490-410 Póvoa de Varzim

18 de Julho | 15h - 17h

RESERVAS - 252108514 | vilanet@vilanet.org