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sábado, 20 de fevereiro de 2010
As coisas pequenas
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Concertos de Leitura
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
os olhos - poema premiado em São Paulo
os olhos
se um gesto me definisse seria o de te afastar o cabelo para te ver melhor o rosto que me enche de bravura
e só te vejo pelos meus olhos por serem os que te vêem mais bela
tenho os olhos feitos à medida da tua cara
e só tenho olhos para ti
quando não estás sou invisível e quase invisual
a visão não me serve de nada
vejo mas sem cor e é pior que a preto e branco
é desfocado
é esbatido
e sem chama
e sem cheiro
contigo cheira bem
sabe bem
ouve bem o que digo porque é sincero porque se não fosse todo eu era falso
mas com os teus braços finos a fazer as vezes da corda que me serpenteia o pescoço para me matar de felicidade
e só te quero a ti
e só te vejo a ti como a última noite do Verão mais quente
com o céu mais estrelado
com a lua mais cúmplice
com os gestos mais carinhosos
e tiro-te o cabelo da frente com a ajuda da minha mão direita que só existe para isso
hesito porque os meus olhos pediram-me que os deixasse olhar para ti mais uma vez
e eu deixo para eles não chorarem muito
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
imaginário poético - revista eletrónica de artes, música, literatura e filosofia
A coluna Poetas na Rede tem o prazer de apresentar mais um jovem poeta português: João Negreiros. Unindo poesia e teatro, João interpreta suas próprias poesias e disponibiliza os vídeos em seu blog. De uma força constrangedora, sua poesia encenada tem o poder de nos silenciar e nos transportar para um espaço de reflexão peculiar: o chão. O poeta, literalmente, convida-nos a ouvir as vozes que o chão nos diz e daí, somente a partir daí, a fazer de conta, a fazer poesia. Em questão de minutos, ele que fala do chão debaixo do chão, o inferno, transporta-nos também ao céu, absolutamente sem metafísica, absolutamente ciente de que é a presença de alguém querido o princípio de distinção, o a priori que determina estas categorias. Poesia da gravidade que nos deita no cotidiano, do destino das coisas pequenas que nos atravessam o caminho. Poesia absolutamente contemporânea, não apenas pela linguagem, ou pelo medium de que faz uso, mas porque versa sobre os mínimos e privados delitos e deleites do aqui e agora.
Foi neste estado de encantamento que entrei em contato com João que, por sua vez, respondeu-me não apenas com extrema simpatia, revelando que já conhecia e apreciava nosso Imaginário, mas também com generosidade, disponibilizando todos os seus vídeos para publicação em nossa Revista. Dentre estes, escolhi e publico três para forrarmos com ele nosso chão e deitarmos em boa poesia. (Mas, João, não hesito em afirmar que ontem estive no inferno é meu preferido!)
dana paulinelli
ler mais em http://www.imaginariopoetico.com.br/2010/02/poetas-na-rede-joao-negreiros.html
sábado, 6 de fevereiro de 2010
grandes poemas para viagens pequenas
o nadador
foi visto um burocrata morto por não saber nadar
a boiar de bruços com a cabeça enterrada na água
a exercitar as guelras do ar podre que lhe construiu as palavras sinceras com
[que enganou quem conheceu ao longe da janela do avião
e de longe acenou a todos os que conhecia levando na mão a mala
[que tinha as esperanças que todos tinham em si
bóia um ladrão morto e o estilo é pouco ortodoxo
não mexe braços nem pernas
não respira nem ergue a cabeça
não faz rotações de tronco
não se mexe nem um milímetro
foi já ultrapassado por todos os concorrentes
e a água vai ficando escura da tinta que vai na mala onde se escreveram
[os nomes dos que lhe confiaram as vidas
na pista sete bóia um burocrata rico que fugiu com a esperança
e ninguém se atreve a resgatá-lo
é que dá medo de olhar
dá medo de saber a expressão que levava quando percebeu que não ia ganhar
todos os nadadores já saíram da água
todos os nadadores já secaram o cabelo
todos os nadadores já receberam as medalhas
todos os nadadores já vestiram os fatinhos-de-treino
todos os nadadores já choraram a bandeira
e um chorou ranho também com o hino
ele continua lá
a piscina vai fechar
as luzes apagaram-se
e o da pista sete não tem direito a medalha
nem pode ir às olimpíadas porque já ninguém confia nele
nem sequer para conseguir os mínimos
a pista sete está a transbordar com as palavras que lhe disseram os amigos
[que ele iludiu para depois desiludir
e foi o dono de um molhe delas
um dos donos dos molhos de palavras que lhe fez a folha
que lhe levou o ar emprestado para compensar o papel
foi um deles que lhe deu as mais exigentes aulas de natação
aquelas em que é impossível levantar a cabeça e em que temos que nadar
[sempre submersos até bater com a cabeça desesperada na parede que sabe a [cloro
o burocrata bóia morto e quem o fez perder a prova foi um nome na pasta
há um nome a vermelho na pasta que está a esbater-se no mesmíssimo
[momento da culpa
o melhor amigo matou-o
o que lhe fez mais festas
o que lhe gabou mais as notas dos filhos
o que mais lhe respeitou a esposa
o que mais brindes lhe fez em delicados reveillons
o melhor amigo matou-o
o melhor amigo matou-o
foi o único que não aguentou perdê-lo
percebê-lo
conhecê-lo
era o único que não sabia
era o único que estava quase a meter os papéis para se promover a irmão
o melhor amigo matou-o porque a maior tristeza só nos pode ser dada por
[quem amamos mais e mais e mais neste infinito que termina [desafiando a lógica que nos disseram os livros e os filmes de domingo à tarde [que vemos amparando meninos
o burocrata bóia morto e está na boca do mundo defunto porque levou para
[longe numa pasta as boas acções que se trocam agora por brinquedos [que só dão aos filhos dos pobres
o burocrata bóia morto e afoga o melhor dos amigos
in a verdade dói e pode estar errada, de João Negreiros
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
O Teatro Universitário do Minho apresenta O JORNALISTA DA VOSSA BELEZA
- 6,12,23,24 de Fevereiro e 2, 3 de Março de 2010 às 21h30 no Auditório de Bolso do TUM (junto à Sé de Braga);
- Fnac Gaia Shopping: 19 de Fevereiro, às 21h30;
- Fnac Santa Catarina, 20 de Fevereiro, às 17h00;
- Fnac Braga Parque, 25 de Fevereiro, às 21h30;
- Fnac Coimbra, dia 27 de Fevereiro, às 21h30.
