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quinta-feira, 3 de setembro de 2009
"Os filhos dos outros portam-se bem à mesa" - Poema dito no espectáculo INSPIRAÇÃO É RESPIRAR
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009
INSPIRAÇÃO É RESPIRAR - digressão nacional

“(…) com gente que anuncia talento como esta, somos todos cúmplices. Ou então já estamos mortos.” Miguel Carvalho, jornalista da Visão
A poesia de João Negreiros na voz do elenco do Teatro Universitário do Minho
Espectáculo e percurso antológico da poesia de João Negreiros que tem como objectivo traçar uma rota que vai desde as suas tendências Neo-Surrealistas até à lírica mais conceptual e sonora.A interpretação das dizedoras visa ser oral, naturalista e inovadora, tornando a literatura mais óbvia, mais universal e mais acessível.
É um espectáculo de emoções extremas e dos sentimentos mais íntimos e guarda os momentos mais carinhosos que só se partilham com os amantes, os amigos e o público.
Próximos espectáculos:
- Vila Real, Casa de Pasto Chaxoila, 4 de Setembro às 21h30
- Porto, Clube Literário do Porto, 6 de Setembro às 21h30
- Braga, Livraria Centésima Página, 8 de Setembro às 21h30
- Braga, FNAC do Bragaparque, 10 de Setembro às 21h30
- Coimbra, FNAC Fórum, 12 de Setembro às 17h00
- Porto, FNAC Norteshopping, 16 de Setembro às 21h30
- Vila Real, Associação Espontânea, 19 de Setembro às 21h30
- Lisboa, FNAC Chiado, 20 de Setembro às 17h00
- Lisboa, Fábrica Braço de Prata, 20 de Setembro às 21h30
- Guimarães, Livraria do Centro Cultural São Mamede, 21 de Setembro às 21h30
- Porto, FNAC Santa Catarina, 22 de Setembro às 18h30
Teatro Universitário do Minho
E-mail: teatrum@gmail.com
Sítio oficial: http://www.blogdotum.blogspot.
Telemóvel: 965530263
domingo, 2 de agosto de 2009
canção ao emigrante
a sombra para além dos dias é a lembrança de ontem e o poder não haver amanhã
levo numa mala coisas simples para voltar e sei exactamente a quem pertencem
levo-as numa de devolver e guardo-as com a mão dos dedos todos para que não esqueça porque vou
sei ainda de cor os passos para casa e só penso no inverso quando me arremesso à frente
tenho de passar daqui para lá sem ir desta para melhor
há partes de mim feitas à mão que não passam na alfândega e maravilhas escondidas que vou ter que declarar
vou para longe para ser visto de relance pelos olhos frios da certeza da parada das tropas
sou o viajante
o camionista
o forasteiro
o astronauta
o emigrante
o país
o sem-abrigo
o que vai agora aprender a falar
o que vai agora aprender a comer
o que vai para a sombra ver melhor
o que não sabe ao que vai
sei o regresso e fujo ao passado entre os dedos juntos
oxalá não se esqueçam de mim
o neto da nau catrineta
o bisneto do Deus nos livre
o marujo à cabra cega
fiz a mala mais pequena que havia com o couro das costas
e tenho dores nelas quando vos aperto nas mãos
fui fazer um país novo e encontrei o que já lá estava
dei um adeus a ver se voltava porque não sabia até já na outra língua
e por isso fiquei mais tempo
espero voltar
espero um dia
espero que baixe à terra um bilhete de avião
espero por ver maior a foto tipo passe-vite que me amarrotou o transparente da carteira
espero por um dia mais novo comigo mais velho a falar mau português com o carinho todo que tiver
segunda-feira, 27 de julho de 2009
o búfalo que sopra
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sexta-feira, 17 de julho de 2009
O Teatro Universitário apresenta
Espectáculo e percurso antológico da poesia de João Negreiros, que tem como objectivo traçar uma rota que vai desde as suas tendências Neo-Surrealistas até à lírica mais conceptual e sonora.A interpretação dos diseurs visa ser oral, naturalista e inovadora, tornando a literatura mais óbvia, mais universal e mais acessível.
É um espectáculo de emoções extremas e dos sentimentos mais íntimos e guarda os momentos mais carinhosos que só se partilham com os amantes, amigos e o público.
Dose da fatia de um doce
Dá-me um bocadinho do teu amor todos os dias
Não mo dês todo hoje que amanhã vou precisar dele outra vez
eu sei conheço-me bem
e nesse aspecto sou exactamente como o resto da humanidade
preciso de ser amado todos os dias
só espero não morrer muito velhinho para que o teu amor me
[dure até ao fim da vida
in "o cheiro da sombra das flores" de João Negreiros
Direcção artística: João Negreiros
Diseurs: Ana Catarina Miranda, Andreia Dantas, Catarina Rocha, Dina Costa e Eduarda Freitas
Sonoplastia:João Negreiros
Selecção de textos: Ana Catarina Miranda, Andreia Dantas, Catarina Rocha, Dina Costa, Eduarda Freitas
Operação de luz e som: Vítor Arezes e Agostinho Silva
Local: Auditório do T.U.M., Rua do Farto, Braga (junto às Frigideiras da Sé).
Reservas: 965530263; teatrum@gmail.com
segunda-feira, 13 de julho de 2009
grandes poemas para viagens pequenas
tu messias mais
se ninguém te quiser ouvir grita
escala um arranha-céus e diz tudo
até que as entranhas se esvaiam em acordeões
até que sejas impossível de ignorar
e se te baterem bate a mais portas
e se te baterem mais usa a testa como aríete e entra-lhes nos pensamentos
tu sabes que tens razão
tu tens sempre razão
tu vais salvar toda a gente de si própria
tu sabes o segredo que lhes vai mudar as vidas
tu és o sopro que lhes falta quando assobiam
o som da trombeta
o guizo do chapéu
o rasgo do papel
o mago da magia
o marco do correio
o pico do cume
a água do dromedário
tu vieste para ajudar
tu só queres ajudar
então porque não te deixam?
porque não te sopram carinho ao ouvido e te chamam nomes feios que tu sabes não serem da tua família nem da afastada
a sociedade também foi feita para ti
um bocadinho foi
um buraquinho foi
porque não te deixam entrar lá?
porque não te deixam estar lá?
querem-te à chuva e ao frio
sem amigos
sem calor
sem pão
sem sal
não te dão nem um naco da tua própria carne
nem a luz do teu quarto
nem o silêncio da tua mente
e tu aceitas?
e tu ficas-te?
e tu não protestas?
seu banana
seu falhado
seu funcionário sem sindicato
sua mulherzinha que nunca votou
sua criancinha que limpa o prato
seu homossexual não assumido
seu cão sem pulgas
seu cabrão sem cornos
seu tronco sem pau
seu pau mandado
seu arado sem terra
seu dinossauro radioactivo sem cidade japonesa
seu lamparina sem petróleo que foi inundar uma gaivota
seu cabeça sem capacho
seu diamante
seu bruto
seu papa-açorda
seu caramelo
seu lambe-cus
seu
seu
seu
seu és tu
seu és tu ouviste
seu é contigo
seu é para ti acorda
já é noite
já foi dia
amanhã vai ser tudo isso outra vez e tu estás ao relento
não tens onde ficar
não tens lugar na terra e ninguém to vai dar se não esgravatares
procura
pede
come
ataca
implora
arrasta-te
resvala
escorrega
assusta-os
ignora-os
tu sabes que tens razão
e a tua razão é respirar
se respiras tens direito à vida
se tens direito à vida tens direito a chorar
se tens direito a chorar tens direito a voz
se tens direito a voz tens direito a que te ouçam
se tens direito a que te ouçam tens direito a dizer algo que lhes mude as vidas
se tens direito a dizer algo a que lhes mude as vidas tens direito a mudar também a tua
não peças respeito
nasce respeitado
não implores por dignidade
apregoa a dignificação do Homem
não mendigues comida
acaba com a fome
não protejas os teus filhos
protege todos os filhos
não procures uma religião
faz o que um Deus bom faria
não ouças tudo o que te dizem
ouve todos os que falam
tens direito ao teu canto
e o teu canto é o de mudar tudo
tu podes mudar tudo
tu deves mudar tudo
tu sabes mudar tudo
repara nas pessoas e muda-as para melhor se elas quiserem
aproveita para ires melhorando também
dá-te como se fosses de borla
não peças nada em troca mas dá com um sorriso mais rasgado a quem te der um beijo no fim
não tenhas medo que te interpretem mal
aliás não tenhas medo que te interpretem
aliás não tenhas medo
guarda o melhor para os outros e o pior para ti
mas não sejas cruel contigo que és o único que tens
tens que ter noção do teu papel
e o teu papel é duro como se embrulhasse pregos ou cacos que não queremos nas mãos do senhor da recolha nem nos dentes do gato vadio
o que tu vais fazer agora porque é o único tempo que te pertence é mudar
mudar até que nada fica igual
até que esteja mesmo do agrado de todos
mas se por acaso no meio do teu percurso de conflito e mudança
no meio da tua jornada de luta pelo bem encontrares algo de profundamente belo
não lhe mexas
não lhe toques
pega numa cadeira de praia monta-a e senta-te calmamente a apreciar
in "a verdade dói e pode estar errada"