sábado, 19 de abril de 2014
"O Sol Morreu Aqui" - romance
domingo, 2 de dezembro de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Prémio do Concurso Poético do Cancioneiro Infanto-Juvenil

sábado, 5 de novembro de 2011
V Prémio Internacional de Poesia ao Vídeo
sábado, 30 de outubro de 2010
4º Prémio Internacional de Poesia ao Vídeo
Poema faz parte do livro galardoado com o Prémio Nuno Júdice.
Para adquirir o livro "a verdade dói e pode estar errada" - http://www.saidadeemergencia.com/index.php?page=Books.BookView&book_id=535&genre=
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
6º Concurso Poético do Cancioneiro Infanto-Juvenil para a Língua Portuguesa
quarto crescente
vou pintar uma parede de cada cor e encostar-me a cada uma para que cada uma seja o que eu quero construir
mas como só tenho quatro quatro não chega por isso vou lá para fora imaginar paredes para que se façam muros que eu quero cair uns altos e até ao tecto que está a fazer de céu
eu quero pintar o ar como quem pinta paredes para sentir os desafios como um ar que se lhe deu
e vou respirar distâncias para as cheirar mais perto
e vou escalar o areado como quem rasga os dedos e ainda assim sorri porque sobe como quem morre
vou pintar o mundo de uma cor única que são todas
e matizar as pessoas com nuances subtis para que sejam coerentes
mas eu vou ficar transparente para que vejam por mim o que eu não quero que dói muito
só que o ar anda racionado e o homem racionalizado
e dizem-me que o não faça que fique quedo como quem respira só para fazer circular o ar como o polícia que diz do acidente que aqui não há nada para ver
e fecharam-me à chave
e fecharam-me a chave dentro duma gaveta que está lá fora e lá longe
e estou a fazer pequeníssimos quadrados nas paredes do meu quarto para simular a imensidão do mundo
mas não me chega falta-me gente e até pus um anúncio no jornal a pedir gente pequenina em part-time para me inundar as paredes vestidas de quadrados que fazem de muros das casas das pessoas lá fora
e dentro do meu quarto corre bem corre muito bem porque as cores começaram a intrometer-se nas almas umas das outras
e agora nem são quadrados
são manchas que eu nem distingo que eu nem percebo que eu nem sei ao certo
manchas que se misturam como quem nada que viajam como quem corre
como quem escorre do tecto
como quem escorre do chão ao tecto
como quem escorre de fora para dentro
como quem se entranha
como quem se une
como quem se mune de aventuras e segredos que quiseram ser contados para deixarem de existir
e a perfeição do mundo interior é ter as barreiras simples feitas para cair
e a sua única tristeza são as arestas que choram no canto porque separam a mãe do filho e a solidão da aventura
e ao meu quarto só lhe falta ser circular para ser o mundo mas lá fora circula
e um dia hei-de sair para dizer a todos que se espalhem ao comprido e debaixo uns dos outros
como quem ama sem saber como
como quem chama sem saber quem
como quem brinca sem saber a quê
e vou-lhes ensinar a verdadeira linguagem dos afectos que é moldável palpável e daltónica
e o mundo vai ser de uma cor melhor o mundo vai ser de duas cores da minha e da tua
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
os olhos - poema premiado em São Paulo
os olhos
se um gesto me definisse seria o de te afastar o cabelo para te ver melhor o rosto que me enche de bravura
e só te vejo pelos meus olhos por serem os que te vêem mais bela
tenho os olhos feitos à medida da tua cara
e só tenho olhos para ti
quando não estás sou invisível e quase invisual
a visão não me serve de nada
vejo mas sem cor e é pior que a preto e branco
é desfocado
é esbatido
e sem chama
e sem cheiro
contigo cheira bem
sabe bem
ouve bem o que digo porque é sincero porque se não fosse todo eu era falso
mas com os teus braços finos a fazer as vezes da corda que me serpenteia o pescoço para me matar de felicidade
e só te quero a ti
e só te vejo a ti como a última noite do Verão mais quente
com o céu mais estrelado
com a lua mais cúmplice
com os gestos mais carinhosos
e tiro-te o cabelo da frente com a ajuda da minha mão direita que só existe para isso
hesito porque os meus olhos pediram-me que os deixasse olhar para ti mais uma vez
e eu deixo para eles não chorarem muito
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Prémio Nuno Júdice atribuído a João Negreiros
A cerimónia de entrega e anúncio do vencedor do prémio aconteceu no passado sábado, pelas 15 horas no Auditório da Assembleia Municipal. O evento contou com a presença do Dr. Miguel Capão Filipe (Vereador do Pelouro dos Assuntos Culturais do Município de Aveiro), da Mestre Rosa Maria Oliveira, do Prof. Luís Serrano e do Prof. Doutor António Manuel Ferreira (Universidade de Aveiro), que fez a apresentação da obra vencedora.
O Prof. Doutor António Manuel Ferreira considerou que “para situarmos estes textos na sua genealogia ético-estética temos de recuar no séc. XX e de revisitar alguns textos essenciais de Fernando Pessoa, nomeadamente, as desalentadas confissões de Álvaro de Campos” e continuou dizendo que os poemas de João Negreiros “integram-se em pleno direito num dos trilhos mais vitais da Poesia Portuguesa.” O Professor da Universidade de Aveiro chegou mesmo a ler alguns excertos da obra vencedora, que adjectivou como magníficos.
“Parece tudo muito simples, sem qualidades, digamos assim, para usarmos uma expressão que já faz parte do nosso aparato crítico contemporâneo, mas não é.” O Professor finalizou afirmando que “um homem que manifesta uma relação tão sincera com a Língua Portuguesa só pode ser um verdadeiro poeta. E dizer isto é, para mim, dizer tudo”.
o Outono visto pela janela
na casa onde nasci havia sons e cheiros meus
as pessoas que os tinham emprestavam-mos à memória
e eu incluía-os como amigos íntimos
nesta não tem gente
ou se tem não têm cheiro
nem som porque eu não me lembro
gastei toda a memória nas pessoas antigas
e o espaço para as novas é um t1 que fica muito para além do t
onde eu estou sem visitas
fechado à medida de não deixar entrar
preciso do que já foi como do próximo ar para me lembrar que foi bom
eu já fui bom
agora não sei
mas já fui
juro que fui
e quero gastar as únicas energias a fazer manutenção às memórias
p’ra que nenhuma se perca
era pena
é que até a gente que me fez por dentro como a um cofre já não existe
e quero mantê-los ligados à máquina para sempre
e a máquina sou eu
e para sempre sou eu
anda
aconchega-te no mofo do t1
finge que és de antigamente para te dar os beijinhos de quando era pequenino
cheiras à minha avó
à roupa no estendal
à canção do fim dos bonecos
ao banho que está a ficar frio
ao grito do granizo do dia mais longo em que a casa esteve para cair
tu cheiras e sabes ao dia em que a casa esteve para cair
que foi no mesmo dia em que resistiu
como se estivesse ali desde o início dos tempos
e os tivesse começado para eu os acabar
acabar
acabar
acaba comigo que me falha a lembrança
e restas-me como a folha que esteve para cair
e que só não caiu porque o mundo acabou antes do Outono


