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sábado, 25 de abril de 2015

Li verdade


"Li verdade" in "livro de canções" de João Negreiros

Letra e voz - João Negreiros
Piano - Maria do Céu Camposinhos
Sonoplastia - Miguel Guerra
Edição - Alexandra Brito
Co-produção: Bolor Teatro e Teatro Universitário do Minho
Apoios: Instituto Português da Juventude; Universidade do Minho; Centro de Pesquisa e Interacção Cultural

Li verdade

o que vale é que os cadernos são baratos
o que vale é poderes coçar os chatos
o que vale é só a letra mesmo ao lado da argola
o que vale é que ainda não se paga o ar
o que vale é que aí dentro                         sendo dentro a tua tola
o que vale é que não pagas p’ra pensar

se procuras aquilo que quer o outro
e não sabes bem o que te sabe a ti
se não sabes bem estás morto
se não falas perdigoto
então o que andas tu a fazer aqui?

liberdade é uma coisa a modos de usar
que se perde quando não se sabe usar
não precisas que ta tirem         como quem está a cair
liberdade é bem mais leve que um menir

porque usá-la é quase como ir ao céu
é só a procura do que queres ser mesmo
não dizeres é viveres num mausoléu
a luz do Sol não é estar feito num torresmo

escolheres é tudo o que Deus te deu
sei bem que pareço uma catequista
dos insultos façam lista
há bocado era comunista
na verdade quem sabe de mim sou eu

ir ao céu não é viver no Sol
p’ra falares tira os lábios do anzol
liberdade não escolhe religião
liberdade não milita nem tem patrão

liberdade é só estar 
e dar uso ao que tu és
liberdade é beijar
moças nos cafés

in "livro de canções" de João Negreiros

domingo, 12 de abril de 2015

falta mim


"falta mim" in "livro de canções" de João Negreiros

Letra e voz - João Negreiros
Guitarra - Edgar Ferreira
Violoncelo - Beatriz Ferreira
Piano - Pedro Lima
Composição - Edgar Ferreira
Sonoplastia - Miguel Guerra
Edição - Alexandra Brito
Co-produção: Bolor Teatro e Teatro Universitário do Minho
Apoios: Intituto Português da Juventude; Universidade do Minho; Centro de Pesquisa e Interacção Cultural

"Falta mim"

se fores a árvore e deres a folha
quero-te mais à resma
amo-te mais perto que longe
quero-te longe à mesma

espera que isto soou mal
como este mar afogado em sal
espera que não era bem assim
fazes-me tanta falta como a mim

in "livro de canções" de João Negreiros

terça-feira, 7 de abril de 2015

Novo uso ao ar


"novo uso ao ar" in "livro de canções" de João Negreiros

Letra e voz - João Negreiros
Guitarra - Edgar Ferreira
Composição - Benjamim Vaz
Edição - Alexandra Brito
Co-produção: Bolor Teatro e Teatro Universitário do Minho
Apoios: Intituto Português da Juventude; Universidade do Minho; Centro de Pesquisa e Interacção Cultural

Novo uso ao ar

Perder a vontade
é nunca estar atento
é ganhar toda a idade
perder todo o alento

perder a ilusão
fugir às arrecuas
é perder paixão
é passear sem as ruas

continuar é o novo começo
o perseverante inventou o progresso
querer acordar é uma coisa sem preço
se sonho o amanhã a dormir enriqueço

e acreditar que há por que voar
é dar um caminho e novo uso ao ar

in "livro de canções" de João Negreiros

domingo, 22 de março de 2015

vestido de folhos


vestido de folhos

se não tens pão não comas o gato
se te falta chão não fiques um chato

porque o mal existe não fiques um triste
inventar não é crime          sonha com o pulso firme

e se a Páscoa não traz ovos
e se a mágoa te faz cornos

se o Natal não trouxe comboios
faz do mal um vestido de folhos

"vestido de folhos" in "livro de canções" de João Negreiros

Letra e voz - João Negreiros
Guitarra - Edgar Ferreira
Composição - Benjamim Vaz
Edição - Alexandra Brito

Co-produção: Bolor Teatro e Teatro Universitário do Minho
Apoios: Intituto Português da Juventude; Universidade do Minho; Centro de Pesquisa e Interacção Cultural

domingo, 8 de março de 2015

felicidade por defeito


"felicidade por defeito" in "livro de canções" de João Negreiros

Letra e voz - João Negreiros
Guitarra - Edgar Ferreira
Composição - Benjamim Vaz

Co-produção: Bolor Teatro e Teatro Universitário do Minho
Apoios: Intituto Português da Juventude; Universidade do Minho; Centro de Pesquisa e Interacção Cultural


felicidade por defeito

respirar é o ritual
que não sabes fazer mal
é uma técnica que funciona até adormecida
o mentecapto decora
é p’ra dentro e para fora
como tudo na vida

no nascimento está a razão
para se andar aqui
ando a estudar essa emoção
desde o dia em que nasci

quando esqueces ofegante
quando te perdes de ti
se estrebuchas louco e errante
inspira-te que eu já sabia quando nasci

no nascimento está a razão
para se andar aqui
ando a estudar essa emoção
desde o dia em que nasci

se te disserem que o fazes mal
diz nasci a saber
se te disserem que o fazes bem
diz que foste lá atrás ver

se o que tinhas à partida
não estava estragado
manda embora quem te mandou fora
e te pôs em nenhum lado

no nascimento está a razão
para se andar aqui
ando a estudar essa emoção
desde o dia em que nasci

diz lá
gostas de respirar?
estás cansado de respirar?
tens vergonha de respirar?
não me digas que tens saudades
mesmo saudades da falta de ar
saudades da cabeça dentro d’ água
saudades da culpa e do sofrimento e da mágoa
se quiseres mesmo vou ali e trago-a

no nascimento está a razão
para se andar aqui
ando a estudar essa emoção
desde o dia em que nasci

tens saudades do que está longe?
a sério?
nesse convento és o único monge
essa clausura é p’ra mim mistério
saudades só sei ter do que está bem perto
abraçar o que está à mão é o único vício certo

no nascimento está a razão
para se andar aqui
ando a estudar essa emoção
desde o dia em que nasci

in "livro de canções" de João Negreiros

quarta-feira, 4 de março de 2015

as pessoas que quero p'ra mim


"as pessoas que quero p'ra mim" in "livro de canções" de João Negreiros

Letra e voz - João Negreiros
Guitarra - Edgar Ferreira
Composição - Benjamim Vaz

Co-produção: Bolor Teatro e Teatro Universitário do Minho
Apoios: Intituto Português da Juventude; Universidade do Minho; Centro de Pesquisa e Interacção Cultural

as pessoas que quero p’ra mim

quero primeiro quem mais eu queria
quero primeiro quem eu mais queria
quero primeiro como a mãe faz à cria

as pessoas que gostam de mim
são as pessoas que quero p’ra mim
isto é mágico como compota sem aditivos
isto é básico como elogios com adjectivos

as pessoas que gostam de mim
são as pessoas que quero p’ra mim
isto é sincero como a luz do dia
e ao meu lado só quero a gente que mais eu queria

as pessoas que gostam de mim
são as pessoas que quero p’ra mim

as pessoas que gostam de mim
são as pessoas que quero p’ra mim

não são pessoas reles
juntos trocamos peles
riem-se do que eu digo
e não do que eu penso
seguem-me por onde sigo
e o caminho nem é tão denso

essa gente que me amolece o muro
que tenho que quebrar na missão
estão comigo e eu  juro
que nunca lhes vou largar da mão

a não ser para endireitar os óculos
ou coçar o nariz
e os dedos grudam-se em ósculos
e estou com eles até à raiz

as pessoas que gostam de mim
são as pessoas que quero p’ra mim 

in "livro de canções" de João Negreiros

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

domingo, 29 de junho de 2014

"cesariana" - poema musicado


cesariana

preferes ser esperto ou inteligente?
esperto como toda a gente

preferes ser esperto ou inteligente?
esperto como toda a gente
para estar quase acordado
ou então nem um nem douto
para dormir descansado

preferes ser burro ou aristocrata?
burguês porque zurro
quando me põem a pata

como os pequenos
a quem vestem a bata
e não faço por menos
sou eu quem os mata


porque pequenos
temos demais
já eram pequenos
no tempo dos pais

e vamos assim
como quem não quer
não esperem por mim
depois de morrer

fico p’ra semente
de tão mentiroso
rasgo-te o ventre

e nasce um idoso

poema do livro "luto lento" de João Negreiros

segunda-feira, 12 de maio de 2014

"a cidade dos tristes" de João Negreiros

Texto vencedor do Prémio Nuno Júdice 2009



a cidade dos tristes

a cidade dos parvos
não tem muito para rir
os burros e os asnos
só sabem carpir

e é tão longe
tão longe a saída
deixo o cérebro à chegada
e a beleza à partida

já nem sei bem o nome
que me deram meus pais
de ouvir os queixumes
já decorei os ais

e é tão longe
tão longe a saída
deixo o cérebro à chegada
e a beleza à partida

estou velho e comido
desde que estou aqui
e este bolso descosido
é um buraco negro nazi

mas estes escolhos
não me fazem tropeçar
e invento comboios
para partir a voar

e caio em mim
como quem se encontra
querem-me um manequim
mas eu parto a montra

na cidade dos tristes
só dá mesmo para rir
no começo desistes
do que vais conseguir

e é tão longe
tão longe a saída
deixo o cérebro à chegada
e a beleza à partida

e já sentes o cancro
caminhar-te no bucho
e vocês são o caroço
que com bisturi puxo

e é tão longe
tão longe a saída
deixo o cérebro à chegada
e a beleza à partida

qual notícia de médico
o teu caminho é triste
como um cego amnésico
esquece tudo o que viste

e vai de novo ao teu encontro
como quem beija um gémeo
que o destino já está pronto
e o amor-próprio é um prémio

e é tão longe
tão longe a saída
deixo o cérebro à chegada
e a beleza à partida

deixo o cérebro à chegada
e a beleza à partida

deixo o cérebro à chegada
e a beleza à partida

João Negreiros 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

"redondo como um quase perfeito" - poema musicado



redondo como um quase perfeito


trocar tudo por ti
como se te pertencesse
trocava tudo por ti
o que tenho e o que viesse

dava-me sem o pudor da vergonha
roía-me a pele para te tricotar um baile
dava-te tudo       ficava com a peçonha
e o que tenho de bom podias usar num xaile

leva-me os dedos do pianista
e as mãos da construção civil
rouba-me do cabelo a crista
e           já que João           leva-me o til

sem te ver fico bruto e fero
partes levando-me carne sincera
as virtudes sozinho são o que não quero
tenho uma sala só para a tua espera

e se não te vir nunca mais
nunca mais a mim me vejo
sou pequeno e nem chego aos pedais
mas escalo por ti para um beijo

cego orado como monge
dei-te pernas que levaste a correr
braços meus treparam-te o alto que é longe
e esqueci como se ia aí ter

mas fica-me a dor
a dor mantém-me vivo
é que morrer só de amor
não é bem um castigo

e podia terminar redondo
mas o melhor é o que escondo
ainda trago um gole de saliva
e palavras rudes como expectativa

resta o que nunca se espera
sem saber deste-me a paixão
o carinho verte-me da mão
e vale mais que a carne sincera

e é soro que me alimenta os dias
e sou belo           belo           belo           só com o que tu não querias

magnífico como só o enjeitado
perfeito como o que sobrava
o pasto ama mesmo o gado
porque lhe lambe a erva brava


Poema do livro "o amor és tu" de João Negreiros, 
à venda em livrarias e em http://www.saidadeemergencia.com

segunda-feira, 2 de abril de 2012

"sabes" - poema musicado




sabes


sabes a dor       não tens sabor
sabes à mão      não tens coração
sabes o amor
não tens calor?
sabes a sal mas não tem mal
sabes as cores sem teres louvores
sabes o tempo certo mas nunca estás perto
sabes       as árvores tremem por ti
                como a chuva quando ri
sabes       os mastros que quebram no mar
                é na pressa de chegar
sabes       o gozo que com ti tenho
                é o meu único empenho
sabes       parou ontem o meu corpo
                foste o último sopro

Poema do livro "o amor és tu", de João Negreiros, 
à venda em livrarias e em http://www.saidadeemergencia.com

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

o cão do atrelado - musicado



Amostra do espectáculo de lançamento do livro "o amor és tu" no dia 11 de Fevereiro, às 22h, na Fnac do Norteshopping.

o cão do atrelado

sou teu cachorrinho
com língua a pedir água
falta-me o carinho
e então lambo a mágoa

dou-te a patinha
e o resto de mim
a dor afocinha
o uivo é assim

e vivo esquecido
a lembrar a dona
é este o gemido
da água sem tona

no deserto de treva
deixaste teu cão
mas brinco na relva
do teu coração

Poema do livro "o amor és tu", de João Negreiros, à venda em livrarias e em http://www.saidadeemergencia.com