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quinta-feira, 21 de abril de 2016

Amo-te por fim e isto é só o início


"Amo-te por fim e isto é só o início"

Ontem abracei a minha mãe enquanto ela remexia o estrugido para não queimar a cebola e ela disse:
- Deixa-me, filha que agora estou a fazer o jantar.
E eu disse:
- Não tenho fome.
E ela disse:
- Olha que queima.
E eu disse:
- Gosto do cheiro a cebola queimada nos teus braços. Amo-te de cebolada, mãe.
Ontem abracei a minha filha e ela disse que a deixasse em paz.
Deixei-a em paz e esperei em paz por um segundo melhor em que ela quisesse mais e precisasse mais de outro abraço.
Olhei com atenção e o segundo chegou rápido. Abracei-a então com mais carinho ainda e com um abraço que escolhi à medida do corpo que ela trazia na altura.
Eu gosto de dar o que os outros pedem, e querem, e precisam, e sentem, e merecem.
Para a minha filha, para a minha mãe dou o que sinto como sentiria se fosse este o último segundo de a ver.
Se estivesse a ver a minha pela última vez, se estivesse a ver a minha pela última vez dizia:
Gosto de ti para sempre porque um segundo é coisa pouca.
Mas sei que esta não é a última e isso é bom.
Esta vez não é a última mas é como se fosse porque na última posso não ter oportunidade.
Vou amar-te quando não estiveres mas amar-te-ei mais quando estiveres comigo.
Porque não sei como será o fim e porque não quero saber, a partir deste dia, direi o amor a quem amo como faço a mim própria quando gosto muito de mim.
Gostar de quem está perto e é bom para mim é a segunda melhor maneira de ser bom para mim.
A primeira é gostar de mim como um beijo no espelho.
Nunca digo à minha mãe que a amo porque sei que ela sabe, mas como sei que ela gosta de ouvir digo à mesma como se não soubesse.
Nunca digo à minha filha que a amo porque sei que ela sabe, mas como sei que ela gosta de ouvir digo à mesma como se não soubesse.
O amor só se sabe quando se tem a certeza e para se ter a certeza é preciso dizê-lo e repeti-lo muitas vezes até se saber de cor.
O amor só sabe bem quando se sabe de cor.
Decorei isto para ti, mãe… espero que gostes.
Decorei isto para ti, filha… espero que gostes.

Texto do livro "O Manual da Felicidade" de João Negreiros

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016


"Perfeito como as possibilidades"


Estas são as palavras que direi a mim própria quando precisar das palavras certas, repeti-las-ei nos dias bons para que as saiba de cor nos dias maus:
Levanta-te que a cama deixou de ser fofa no momento em que acordaste. Levanta-te com a vontade de quem quer fazer coisas até estar mais perto do que quer ser.
Levanta-te e procura uma coisa boa e sã para comer.
Depois lava-te até te sentires tão pura como sempre foste e serás.
Em seguida veste o mais perfeito que o dia deixar e pensa que este dia vai ser bom porque é hoje.
Este dia é bom porque é hoje.
E podes não ter vontade de viver e podes não ter vontade de sorrir, mas em vez disso tens de reserva as coisas boas que já fizeste e as coisas incríveis que estão por finalizar.
O antídoto para o peso de hoje é a força que sentias ontem.
Se alguma vez sentiste vontade isso é o precedente que te faz perceber que a vontade é criada por ti.
Se tudo isto te parecer falso tens razão.
Finge, finge, finge muito, finge bem, faz uma cena, uma grande cena, faz de conta que queres alimentar-te e vestir-te e lavar-te.
Faz de conta que queres sair de casa e trabalhar muito e com muita alegria.
Faz de conta que há sol e que chilreiam passarinhos rechonchudos enquanto atravessas a passadeira com o sinal a fechar.
Faz de conta que corre bem e que o mal é imaginário como as bruxas sem verrugas.
Abre hoje o precedente e se amanhã quiseres abre outro também.
Ama-te até andares mais rápido.
Adora-te até que pular seja altamente.
Admira-te como se te visses de cima quando voas e percebe que o que finges existe tanto como o que existe mesmo.
A diferença é o que tu queres e para os outros é indiferente.
Ninguém quer saber se sempre foste feliz ou se só começaste agora. O que interessa é que tenhas hoje forças para trabalhar por um mundo melhor.
E quando digo “por um mundo melhor” não digo o mundo todo.
Quando digo “por um mundo melhor” refiro-me à tua casa, ao teu emprego, ao teu dia, à tua noite, à tua saúde, às tuas pessoas, às tuas tardes, à tua comida, aos teus ideais, à tua roupa, à tua louça, aos teus fins de tarde, às tuas madrugadas, aos teus jantares, às tuas noites cerradas, à tua chuva miudinha.
Quando digo “por um mundo melhor”… Quando digo “por um mundo melhor” refiro-me ao teu mundo.
Isso mesmo, percebeste agora?
Quando digo “por um mundo melhor” refiro-me ao teu mundo.
Sê realista, começa pelo teu mundo.
Amanhã será um dia melhor e poderás salvar mundos melhores.
Hoje é só um dia bom, terás que te contentar com este mundo que, depois do que te disse, se tornou perfeito como as possibilidades.
Atingir o que podemos é a perfeição.
Fazer o que a força pode é a única tarefa.
Trabalhares todos os dias de hoje é a tua maneira de pagares pelo ar que tens andado a gastar.
Faz o esforço que a tua paixão quiser e esforça-te por te apaixonares todos os dias.

João Negreiros in "O Manual da Felicidade"

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

"O que sempre devia ter sido"


"O que sempre devia ter sido"


Não tenho o direito de sentir saudades de quem não procuro.
Se fizer um esforço consigo esquecer-me de tudo o que me faz falta.
Se fizer um esforço grande mesmo posso conseguir até afastar ou afastar-me de tudo o que quero perto.
Se estiver muito inspirada e fizer tudo na perfeição consigo estar sozinha e mal acompanhada e resistir… e viver na penumbra… e no silêncio… e na solidão… e no barulho… e no meio de estranhos… e entregue a mim sem me conhecer.
Se fizer um esforço desmesurado, se me transcender, se me rasgar toda por dentro conseguirei viver contra tudo e contra todos até que este sofrimento seja uma espécie de concretização de uma merda qualquer que não sei bem.
Não preciso de ninguém e, se me afastar o suficiente, existirá um dia em que ninguém precisará de mim.
Se fizer um esforço, se me superar, se for para além do limite, se me rebentar por dentro, se implodir os órgãos internos, se morrer todos os dias, se lutar muito até que o cansaço seja um hábito.
Se me esforçar posso ser uma eremita sem gruta, uma vendedora de enciclopédias analfabeta num condomínio fechado que está ainda por construir e que só recebe publicidade em caixas de correio sem dono e sem direcção.
Cansada do cansaço, cansada do esforço, cansada do orgulho entrego-me à fraqueza da coragem e deixo-me cair de bruços na indómita vontade de compreender todos os que amo e todos os que quero.
Saudades são de quem não posso procurar. A partir de hoje vou dizer tudo a todos os que acho que merecem. A partir de hoje vou fazê-los ouvir o que estava destinada a dizer-lhes no meu leito de morte.
E todas as palavras serão importantes como as últimas. E todas as pessoas que interessam estarão o mais perto de mim que conseguir. E se estiverem zangadas porque no passado lhes dei o esforço do silêncio e da lonjura continuarei a dizer-lhes o que devia ter dito até que me saia sem esforço. Até que me saia suave como tudo o que já foi feito muitas vezes e que sempre foi bom para todos.
Amo o que amo e procuro-o agora.
Abraço o que toco e dou razão aos braços. Entrego-me ao que não foi feito para estar longe e percebo que a distância será sempre escolhida por mim.
E para ti escolho a presença. Para ti escolho junto. Para ti escolho-te a mim e junto-me ao que sempre foi porque sempre deveria ter sido.

Texto do livro "O Manual da Felicidade" de João Negreiros

domingo, 24 de janeiro de 2016

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

terça-feira, 5 de janeiro de 2016



"Aprende a falhar"

Falha um sonho e acorda de vez.
Falha um objectivo e corre com o cansaço.
Falha por muito e fica mais perto.
Falha por pouco para ficares quase onde queres.
Falha muito como faz quem percebe que ser alguma coisa passa por quase ser.
Falha a concretização como quem dá valor ao que constrói.
Falha um compromisso e encontra outra pessoa.
Falha o que está longe e cresce como quem se estica.
Falha como conseguem os outros.
Falha e saberás o valor todo quando deixares de o fazer.
Falha e diverte-te à distância.
Falha, falha, falha, falha.
Falha como quem aprende que tudo no Mundo precisou de tentativas para existir.

Texto d'"O Manual da Felicidade" de João Negreiros

sábado, 2 de janeiro de 2016



"Perfeito como as possibilidades"

Estas são as palavras que direi a mim própria quando precisar das palavras certas, repeti-las-ei nos dias bons para que as saiba de cor nos dias maus:
Levanta-te que a cama deixou de ser fofa no momento em que acordaste. Levanta-te com a vontade de quem quer fazer coisas até estar mais perto do que quer ser.
Levanta-te e procura uma coisa boa e sã para comer.
Depois lava-te até te sentires tão pura como sempre foste e serás.
Em seguida veste o mais perfeito que o dia deixar e pensa que este dia vai ser bom porque é hoje.
Este dia é bom porque é hoje.
E podes não ter vontade de viver e podes não ter vontade de sorrir, mas em vez disso tens de reserva as coisas boas que já fizeste e as coisas incríveis que estão por finalizar.
O antídoto para o peso de hoje é a força que sentias ontem.
Se alguma vez sentiste vontade isso é o precedente que te faz perceber que a vontade é criada por ti.
Se tudo isto te parecer falso tens razão.
Finge, finge, finge muito, finge bem, faz uma cena, uma grande cena, faz de conta que queres alimentar-te e vestir-te e lavar-te.
Faz de conta que queres sair de casa e trabalhar muito e com muita alegria.
Faz de conta que há sol e que chilreiam passarinhos rechonchudos enquanto atravessas a passadeira com o sinal a fechar.
Faz de conta que corre bem e que o mal é imaginário como as bruxas sem verrugas.
Abre hoje o precedente e se amanhã quiseres abre outro também.
Ama-te até andares mais rápido.
Adora-te até que pular seja altamente.
Admira-te como se te visses de cima quando voas e percebe que o que finges existe tanto como o que existe mesmo.
A diferença é o que tu queres e para os outros é indiferente.
Ninguém quer saber se sempre foste feliz ou se só começaste agora. O que interessa é que tenhas hoje forças para trabalhar por um mundo melhor.
E quando digo “por um mundo melhor” não digo o mundo todo.
Quando digo “por um mundo melhor” refiro-me à tua casa, ao teu emprego, ao teu dia, à tua noite, à tua saúde, às tuas pessoas, às tuas tardes, à tua comida, aos teus ideais, à tua roupa, à tua louça, aos teus fins de tarde, às tuas madrugadas, aos teus jantares, às tuas noites cerradas, à tua chuva miudinha.
Quando digo “por um mundo melhor”… Quando digo “por um mundo melhor” refiro-me ao teu mundo.
Isso mesmo, percebeste agora?
Quando digo “por um mundo melhor” refiro-me ao teu mundo.
Sê realista, começa pelo teu mundo.
Amanhã será um dia melhor e poderás salvar mundos melhores.
Hoje é só um dia bom, terás que te contentar com este mundo que, depois do que te disse, se tornou perfeito como as possibilidades.
Atingir o que podemos é a perfeição.
Fazer o que a força pode é a única tarefa.
Trabalhares todos os dias de hoje é a tua maneira de pagares pelo ar que tens andado a gastar.
Faz o esforço que a tua paixão quiser e esforça-te por te apaixonares todos os dias.

Texto d' "O Manual da Felicidade" de João Negreiros

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016




"Novo uso ao ar"

Perder a vontade
é nunca estar atento
é ganhar toda a idade

perder todo o alento

perder a ilusão
fugir às arrecuas
é perder paixão
é passear sem as ruas

continuar é o novo começo
o perseverante inventou o progresso
querer acordar é uma coisa sem preço
se sonho o amanhã a dormir enriqueço

e acreditar que há por que voar
é dar um caminho e novo uso ao ar

in "Livro de Canções do Manual da Felicidade" de João Negreiros

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015



"felicidade por defeito"

respirar é o ritual
que não sabes fazer mal
é uma técnica que funciona até adormecida
o mentecapto decora
é p’ra dentro e para fora
como tudo na vida

no nascimento está a razão
para se andar aqui
ando a estudar essa emoção
desde o dia em que nasci

quando esqueces ofegante
quando te perdes de ti
se estrebuchas louco e errante
inspira-te que eu já sabia quando nasci

no nascimento está a razão
para se andar aqui
ando a estudar essa emoção
desde o dia em que nasci

se te disserem que o fazes mal
diz nasci a saber
se te disserem que o fazes bem
diz que foste lá atrás ver

se o que tinhas à partida
não estava estragado
manda embora quem te mandou fora
e te pôs em nenhum lado

no nascimento está a razão
para se andar aqui
ando a estudar essa emoção
desde o dia em que nasci

diz lá
gostas de respirar?
estás cansado de respirar?
tens vergonha de respirar?
não me digas que tens saudades
mesmo saudades da falta de ar
saudades da cabeça dentro d’ água
saudades da culpa e do sofrimento e da mágoa
se quiseres mesmo vou ali e trago-a

no nascimento está a razão
para se andar aqui
ando a estudar essa emoção
desde o dia em que nasci

tens saudades do que está longe?
a sério?
nesse convento és o único monge
essa clausura é p’ra mim mistério
saudades só sei ter do que está bem perto
abraçar o que está à mão é o único vício certo

no nascimento está a razão
para se andar aqui
ando a estudar essa emoção
desde o dia em que nasci

in "Livro de Canções do Manual da Felicidade" de João Negreiros

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015



"O que eu sou é a felicidade de estar viva"

Gostava de sair à rua com um decote até ao chão. Um decote que mostrasse tudo, o cu, as mamas, o resto, tudo, até ao chão, até estar nua se não estivesse frio. Se estivesse frio podia estar quentinha vestida com meia-calça, mas toda nua por dentro da meia-calça e da camisola interior.
Gostava de poder andar nua na rua no Verão e poder olhar para os homens sem precisar de ter medo de eles olharem para mim.
Gostava de me chamar “o que é que foi, nunca viste?”.
Gostava que a rua fosse minha e que, na minha rua, os homens fossem cavalheiros paternos que não aprenderam o paternalismo.
Gostava de me poder rir como as adolescentes, nunca me ri como uma adolescente. Adoro o riso das adolescentes. Nunca fui adolescente, tenho saudades. Acho que passei da infância à idade adulta durante a noite… para a próxima faço directa para rir toda a noite enquanto mando sms a um puto giro que anda um ano à frente e que já repetiu duas vezes…
Quero desfilar com lantejoulas até cegar quem pede esmola e quero ser a melhor amiga das mulheres.
Eu não me visto linda por causa do sexo dos homens. Eu visto-me linda por mim. Eu dou-me aos homens por mim se eles forem bons, e ternos, e sãos, e puros, e sábios, e sinceros, e honestos, e lindos, e príncipes encantados com bom feitio e ogres malvados com bom coração.
O medo não me deixa vestir o que quero e o medo não me deixa despir quando quero mas, a partir de agora… a partir de agora mato o medo do meu guarda-roupa e visto a cor que me ficar melhor. A partir de agora vou vestir o mais ousado que a minha prudência quiser e o mais recatado que a minha coragem deixar.
Eu sou uma mulher. Não sou mulher para fazer inveja às outras mulheres. Sou mulher para ser vossa irmã. Eu sou uma mulher. Não sou uma mulher para provocar o homem. Eu compreendo-me só e dou-me aos outros só para partilhar o que sou com eles.
O que sou é isto. O que sou é a felicidade de estar viva. O que sou é a capacidade infinita de amar todos os que me rodeiam como se tivessem sido feitos para mim e para me entenderem.
Eu sou a mulher. Vivo para ti e tu és todos. Não faço nada de propósito mas se a minha felicidade e a minha beleza te inspirarem podes dizer-me bom dia e até podes amar-me incondicionalmente. Eu farei o mesmo.
Eu sou a mulher e visto-me a mim própria todos os dias para mim… e para ti.

Texto do livro "O Manual da Felicidade" de João Negreiros


"O que eu sou é a felicidade de estar viva"

Gostava de sair à rua com um decote até ao chão. Um decote que mostrasse tudo, o cu, as mamas, o resto, tudo, até ao chão, até estar nua se não estivesse frio. Se estivesse frio podia estar quentinha vestida com meia-calça, mas toda nua por dentro da meia-calça e da camisola interior.
Gostava de poder andar nua na rua no Verão e poder olhar para os homens sem precisar de ter medo de eles olharem para mim.
Gostava de me chamar “o que é que foi, nunca viste?”.
Gostava que a rua fosse minha e que, na minha rua, os homens fossem cavalheiros paternos que não aprenderam o paternalismo.
Gostava de me poder rir como as adolescentes, nunca me ri como uma adolescente. Adoro o riso das adolescentes. Nunca fui adolescente, tenho saudades. Acho que passei da infância à idade adulta durante a noite… para a próxima faço directa para rir toda a noite enquanto mando sms a um puto giro que anda um ano à frente e que já repetiu duas vezes…
Quero desfilar com lantejoulas até cegar quem pede esmola e quero ser a melhor amiga das mulheres.
Eu não me visto linda por causa do sexo dos homens. Eu visto-me linda por mim. Eu dou-me aos homens por mim se eles forem bons, e ternos, e sãos, e puros, e sábios, e sinceros, e honestos, e lindos, e príncipes encantados com bom feitio e ogres malvados com bom coração.
O medo não me deixa vestir o que quero e o medo não me deixa despir quando quero mas, a partir de agora… a partir de agora mato o medo do meu guarda-roupa e visto a cor que me ficar melhor. A partir de agora vou vestir o mais ousado que a minha prudência quiser e o mais recatado que a minha coragem deixar.
Eu sou uma mulher. Não sou mulher para fazer inveja às outras mulheres. Sou mulher para ser vossa irmã. Eu sou uma mulher. Não sou uma mulher para provocar o homem. Eu compreendo-me só e dou-me aos outros só para partilhar o que sou com eles.
O que sou é isto. O que sou é a felicidade de estar viva. O que sou é a capacidade infinita de amar todos os que me rodeiam como se tivessem sido feitos para mim e para me entenderem.
Eu sou a mulher. Vivo para ti e tu és todos. Não faço nada de propósito mas se a minha felicidade e a minha beleza te inspirarem podes dizer-me bom dia e até podes amar-me incondicionalmente. Eu farei o mesmo.
Eu sou a mulher e visto-me a mim própria todos os dias para mim… e para ti.

Texto do livro "O Manual da Felicidade" de João Negreiros


"O que eu sou é a felicidade de estar viva"

Gostava de sair à rua com um decote até ao chão. Um decote que mostrasse tudo, o cu, as mamas, o resto, tudo, até ao chão, até estar nua se não estivesse frio. Se estivesse frio podia estar quentinha vestida com meia-calça, mas toda nua por dentro da meia-calça e da camisola interior.
Gostava de poder andar nua na rua no Verão e poder olhar para os homens sem precisar de ter medo de eles olharem para mim.
Gostava de me chamar “o que é que foi, nunca viste?”.
Gostava que a rua fosse minha e que, na minha rua, os homens fossem cavalheiros paternos que não aprenderam o paternalismo.
Gostava de me poder rir como as adolescentes, nunca me ri como uma adolescente. Adoro o riso das adolescentes. Nunca fui adolescente, tenho saudades. Acho que passei da infância à idade adulta durante a noite… para a próxima faço directa para rir toda a noite enquanto mando sms a um puto giro que anda um ano à frente e que já repetiu duas vezes…
Quero desfilar com lantejoulas até cegar quem pede esmola e quero ser a melhor amiga das mulheres.
Eu não me visto linda por causa do sexo dos homens. Eu visto-me linda por mim. Eu dou-me aos homens por mim se eles forem bons, e ternos, e sãos, e puros, e sábios, e sinceros, e honestos, e lindos, e príncipes encantados com bom feitio e ogres malvados com bom coração.
O medo não me deixa vestir o que quero e o medo não me deixa despir quando quero mas, a partir de agora… a partir de agora mato o medo do meu guarda-roupa e visto a cor que me ficar melhor. A partir de agora vou vestir o mais ousado que a minha prudência quiser e o mais recatado que a minha coragem deixar.
Eu sou uma mulher. Não sou mulher para fazer inveja às outras mulheres. Sou mulher para ser vossa irmã. Eu sou uma mulher. Não sou uma mulher para provocar o homem. Eu compreendo-me só e dou-me aos outros só para partilhar o que sou com eles.
O que sou é isto. O que sou é a felicidade de estar viva. O que sou é a capacidade infinita de amar todos os que me rodeiam como se tivessem sido feitos para mim e para me entenderem.
Eu sou a mulher. Vivo para ti e tu és todos. Não faço nada de propósito mas se a minha felicidade e a minha beleza te inspirarem podes dizer-me bom dia e até podes amar-me incondicionalmente. Eu farei o mesmo.
Eu sou a mulher e visto-me a mim própria todos os dias para mim… e para ti.

Texto do livro "O Manual da Felicidade" de João Negreiros


"O que eu sou é a felicidade de estar viva"

Gostava de sair à rua com um decote até ao chão. Um decote que mostrasse tudo, o cu, as mamas, o resto, tudo, até ao chão, até estar nua se não estivesse frio. Se estivesse frio podia estar quentinha vestida com meia-calça, mas toda nua por dentro da meia-calça e da camisola interior.
Gostava de poder andar nua na rua no Verão e poder olhar para os homens sem precisar de ter medo de eles olharem para mim.
Gostava de me chamar “o que é que foi, nunca viste?”.
Gostava que a rua fosse minha e que, na minha rua, os homens fossem cavalheiros paternos que não aprenderam o paternalismo.
Gostava de me poder rir como as adolescentes, nunca me ri como uma adolescente. Adoro o riso das adolescentes. Nunca fui adolescente, tenho saudades. Acho que passei da infância à idade adulta durante a noite… para a próxima faço directa para rir toda a noite enquanto mando sms a um puto giro que anda um ano à frente e que já repetiu duas vezes…
Quero desfilar com lantejoulas até cegar quem pede esmola e quero ser a melhor amiga das mulheres.
Eu não me visto linda por causa do sexo dos homens. Eu visto-me linda por mim. Eu dou-me aos homens por mim se eles forem bons, e ternos, e sãos, e puros, e sábios, e sinceros, e honestos, e lindos, e príncipes encantados com bom feitio e ogres malvados com bom coração.
O medo não me deixa vestir o que quero e o medo não me deixa despir quando quero mas, a partir de agora… a partir de agora mato o medo do meu guarda-roupa e visto a cor que me ficar melhor. A partir de agora vou vestir o mais ousado que a minha prudência quiser e o mais recatado que a minha coragem deixar.
Eu sou uma mulher. Não sou mulher para fazer inveja às outras mulheres. Sou mulher para ser vossa irmã. Eu sou uma mulher. Não sou uma mulher para provocar o homem. Eu compreendo-me só e dou-me aos outros só para partilhar o que sou com eles.
O que sou é isto. O que sou é a felicidade de estar viva. O que sou é a capacidade infinita de amar todos os que me rodeiam como se tivessem sido feitos para mim e para me entenderem.
Eu sou a mulher. Vivo para ti e tu és todos. Não faço nada de propósito mas se a minha felicidade e a minha beleza te inspirarem podes dizer-me bom dia e até podes amar-me incondicionalmente. Eu farei o mesmo.
Eu sou a mulher e visto-me a mim própria todos os dias para mim… e para ti.

Texto do livro "O Manual da Felicidade" de João Negreiros

"O que eu sou é a felicidade de estar viva"

Gostava de sair à rua com um decote até ao chão. Um decote que mostrasse tudo, o cu, as mamas, o resto, tudo, até ao chão, até estar nua se não estivesse frio. Se estivesse frio podia estar quentinha vestida com meia-calça, mas toda nua por dentro da meia-calça e da camisola interior.
Gostava de poder andar nua na rua no Verão e poder olhar para os homens sem precisar de ter medo de eles olharem para mim.
Gostava de me chamar “o que é que foi, nunca viste?”.
Gostava que a rua fosse minha e que, na minha rua, os homens fossem cavalheiros paternos que não aprenderam o paternalismo.
Gostava de me poder rir como as adolescentes, nunca me ri como uma adolescente. Adoro o riso das adolescentes. Nunca fui adolescente, tenho saudades. Acho que passei da infância à idade adulta durante a noite… para a próxima faço directa para rir toda a noite enquanto mando sms a um puto giro que anda um ano à frente e que já repetiu duas vezes… 
Quero desfilar com lantejoulas até cegar quem pede esmola e quero ser a melhor amiga das mulheres. 
Eu não me visto linda por causa do sexo dos homens. Eu visto-me linda por mim. Eu dou-me aos homens por mim se eles forem bons, e ternos, e sãos, e puros, e sábios, e sinceros, e honestos, e lindos, e príncipes encantados com bom feitio e ogres malvados com bom coração.
O medo não me deixa vestir o que quero e o medo não me deixa despir quando quero mas, a partir de agora… a partir de agora mato o medo do meu guarda-roupa e visto a cor que me ficar melhor. A partir de agora vou vestir o mais ousado que a minha prudência quiser e o mais recatado que a minha coragem deixar.
Eu sou uma mulher. Não sou mulher para fazer inveja às outras mulheres. Sou mulher para ser vossa irmã. Eu sou uma mulher. Não sou uma mulher para provocar o homem. Eu compreendo-me só e dou-me aos outros só para partilhar o que sou com eles. 
O que sou é isto. O que sou é a felicidade de estar viva. O que sou é a capacidade infinita de amar todos os que me rodeiam como se tivessem sido feitos para mim e para me entenderem.
Eu sou a mulher. Vivo para ti e tu és todos. Não faço nada de propósito mas se a minha felicidade e a minha beleza te inspirarem podes dizer-me bom dia e até podes amar-me incondicionalmente. Eu farei o mesmo.
Eu sou a mulher e visto-me a mim própria todos os dias para mim… e para ti.

Texto do livro "O Manual da Felicidade" de João Negreiros


terça-feira, 29 de dezembro de 2015

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015




"felicidade por defeito"


respirar é o ritual
que não sabes fazer mal
é uma técnica que funciona até adormecida
o mentecapto decora
é p’ra dentro e para fora
como tudo na vida

no nascimento está a razão
para se andar aqui
ando a estudar essa emoção
desde o dia em que nasci

quando esqueces ofegante
quando te perdes de ti
se estrebuchas louco e errante
inspira-te que eu já sabia quando nasci

no nascimento está a razão
para se andar aqui
ando a estudar essa emoção
desde o dia em que nasci

se te disserem que o fazes mal
diz nasci a saber
se te disserem que o fazes bem
diz que foste lá atrás ver

se o que tinhas à partida
não estava estragado
manda embora quem te mandou fora
e te pôs em nenhum lado

no nascimento está a razão
para se andar aqui
ando a estudar essa emoção
desde o dia em que nasci

diz lá
gostas de respirar?
estás cansado de respirar?
tens vergonha de respirar?
não me digas que tens saudades
mesmo saudades da falta de ar
saudades da cabeça dentro d’ água
saudades da culpa e do sofrimento e da mágoa
se quiseres mesmo vou ali e trago-a

no nascimento está a razão
para se andar aqui
ando a estudar essa emoção
desde o dia em que nasci

tens saudades do que está longe?
a sério?
nesse convento és o único monge
essa clausura é p’ra mim mistério
saudades só sei ter do que está bem perto
abraçar o que está à mão é o único vício certo

no nascimento está a razão
para se andar aqui
ando a estudar essa emoção
desde o dia em que nasci

in "livro de canções do manual da felicidade" de João Negreiros

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015


"Tudo de bom"

As coisas que acontecem acontecem sempre instantaneamente.
As coisas que nos fazem acontecer acontecem sempre instantaneamente.
As grandes mudanças são instantâneas como as diferenças.
Agradeço à mudança que me faz melhor porque a mudança que me faz melhor é a única que quero.
Quero mudar para melhor e quero só quem me muda para melhor.
Há pessoas com o dom de mudar e sou uma delas.
Mudo todos os dias muito porque tenho a necessidade de mudar muito, não por estar mal, mas por querer estar bem porque bem é melhor.
Quero agradecer a mim próprio por melhorar todos os dias e a todos os que me melhoraram. Estou viciado em evoluir. Acho que na semana passada era uma ameba e esta semana sou incrível e tenho células infinitas de contar. Para a semana que vem, vou-me achar uma ameba esta semana, e assim sucessivamente até ser o melhor que puder.
Todos nós temos a obrigação de sermos o melhor possível porque o melhor possível é o mínimo que podemos.
Agradeço a todos os que estiveram comigo na semana passada e que me fizeram ser o que sou nesta.
A verdade é que pode não ter passado uma semana, a verdade é que pode ter passado um dia ou um segundo ou um instante tão pequeno que por pouco não era inventado.
Para crescer não é preciso tempo, só é preciso perceber, querer muito e escolher a companhia certa.
És a minha companheira. Obrigado por seres a minha companhia, a minha companheira, a minha alma gémea falsa que só é igual bem lá dentro.
As únicas pessoas que nos querem bem são as que nos põem melhor.
Juntem-se já a quem vos faz bem sem querer, porque essas são as mesmas que vos fazem bem por querer.
Juntem-se siameses a quem vos constrói. Acrescentemos anexos até fazer de uma cabana um palacete e de um palacete o espaço todo que há, como um tecto para o mundo todo, um tecto por onde passe o Sol, a brisa e a chuva e o tudo de bom.
Tu és o tudo de bom porque me ensinas só que eu já sabia tudo. O homem, quando nasce, sabe tudo e compreende tudo. Isto de viver é só uma maneira de relembrar o que somos. E cada momento é um segundo de uma vida passada onde fomos extraordinários.
Estamos condenados à maravilha e acreditar nisso é o mesmo que respirar.

Texto de "O Manual da Felicidade" de João Negreiros