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domingo, 15 de março de 2015

O mar que a gente faz

Era um menino que não sabia nadar e o mar feito à tona e à medida para gente que boiava sem esforço.
O menino chama-se Sargo e o mar não tem nome por ser grande e o que tem está esquecido no mapa. Sargo é nome de peixe e aí começa a história.
A família estava junta, como os irmãos quando se entendem, com o menino enrugado no meio. E esse menino ria e sorria como nunca um recém-nascido fizera. E a família ria e sorria, mas era um sorriso engelhado e um riso nervoso.
Porque ria tanto aquele bebé? Não tinha saudades do cordão? Não tinha saudades do útero mole e húmido como as alforrecas? Não, não tinha. Tinha um ar redondo e feliz e a família afeiçoava-se aos risos pequeninos. E de noite, quando os pais novos não podem dormir, ele embalava-os com sonos profundos e soninho às gargalhadas. 

Excerto do livro "O mar que a gente faz" de João Negreiros


quinta-feira, 4 de março de 2010

O MAR QUE A GENTE FAZ




O MAR QUE A GENTE FAZ, de João Negreiros - (Conto) Colecção Camões & Companhia da Saída de Emergência

Excerto

Vamos passar à frente, que é o que fazem os ditadores e os impacientes. E passamos à frente um… não, dois ou três… bem, passemos quatro para arredondar. E vamos até uma tarde soalheira e próxima como os fins-de-semana. Vem para ele uma mulher bonita e quase a deixar de ser nova. Ela chama-se Deolinda, mas todos dizem que ela é Linda, por isso é linda porque ainda há pouco lhe descrevi a beleza… não, espera que não descrevi, mas descrevo agora: olhos cor de avelã, pele crestada pelo Sol como mel quando está duro, cabelos compridos a fazer comichão às costas e castanhos por dentro com umas madeixas louras que uma vizinha cabeleireira lhe deu de presente e que lhe ficam mal para não existir perfeição. Esta é Deolinda. É a mãe do Sargo. Anda de chinelos e avental e tem um colo grande e fofo, que deve ser das pernas grossas que andaram a levantar molhos de redes. Esta é a Deolinda e é a minha mãe, porque agora isto começa a tornar-se muito pessoal e devo ser eu a contar.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O MAR QUE A GENTE FAZ




O MAR QUE A GENTE FAZ, de João Negreiros - (Conto) Colecção Camões & Companhia da Saída de Emergência
O MAR QUE A GENTE FAZ leva-nos para o seio de uma família de pescadores, onde todos os dias a faina ainda leva os homens a madrugar e a sofrer na pele a força das ondas e a dureza do mar. O menino Sargo – que tem nome de peixe – conta-nos uma história que se lê como uma fábula para pais e filhos. Tudo começa no dia em que Sargo nasce e sorri entre as redes dos pescadores. Daí em diante, é uma narrativa de um brilho e ternura excepcionais. Recheado de pequenas peripécias que nos levarão do riso às lágrimas, sempre com um forte sentimento de saudade, o menino Sargo vai recordar-nos aquilo que já soubemos e a vida nos fez esquecer; o significado da vida, da morte e do verdadeiro amor.
Ninguém ficará indiferente à escrita quase musical, ou à inocência terna da criança que nos conta como tudo acontece, com olhos que tudo observam e tudo sentem.
“Nesta obra encontramos mil e um tesouros, entre eles, a possibilidade de sonhar e voltar a ser criança. Não me recordo da última vez que um livro visitou de forma tão intensa os sentimentos da minha infância.” - António Vilaça, Editor