Domingo, 5 de Fevereiro de 2012

Lançamento do livro "o amor és tu"

No dia 11 de Fevereiro, às 22h, na Fnac do Norteshopping, decorrerá o espectáculo de lançamento do mais recente livro de João Negreiros: “o amor és tu” dedicado inteiramente ao amor e afins.

O espectáculo, que conta com a participação especial da Banda SpokenSong, é uma fusão de poesia, música e performance. A voz de João Negreiros, aliada à música ao vivo dos SpokenSong, dará cor e alma aos poemas do livro. “O amor és tu” é um livro de poemas de amor, uma antologia de poemas de amor. Só isso já bastaria, mas talvez seja muito mais.

Leia um excerto desta obra em http://www.saidadeemergencia.com

Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

o cão do atrelado - musicado



Amostra do espectáculo de lançamento do livro "o amor és tu" no dia 11 de Fevereiro, às 22h, na Fnac do Norteshopping.

o cão do atrelado

sou teu cachorrinho
com língua a pedir água
falta-me o carinho
e então lambo a mágoa

dou-te a patinha
e o resto de mim
a dor afocinha
o uivo é assim

e vivo esquecido
a lembrar a dona
é este o gemido
da água sem tona

no deserto de treva
deixaste teu cão
mas brinco na relva
do teu coração

Poema do livro "o amor és tu", de João Negreiros, à venda em livrarias e em http://www.saidadeemergencia.com

Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

o doce da serrilha


Pequeno vídeo para celebrar o lançamento d`"O amor és tu" com um dos poemas de amor que integram o livro.

o doce da serrilha

ceguei a pensar em ti

e foste a última imagem que tive

nadavas como o nenúfar que bóia como quem respira

e atiraste-me as palavras que ainda guardo como único cofre

sei como eras e não sei se chegaste a ser o que querias

mas inventaste para sempre       para mim       o de hoje

à deriva tens os segredos todos

e debaixo de ti afogam-se os males

o teu corpo sabe os recônditos das curvas íngremes

e se fosses viva estudavam-te arquitectos para que pudessem dar a seus edifícios os contornos que a natureza escolherá quando fizer filhos num andaime

a água continua quando acabas

e alongas-te líquida como se soubesses contar pelos dedos o doce que lambes da serrilha da faca

Poema do livro "o amor és tu", de João Negreiros, à venda em livrarias e em http://www.saidadeemergencia.com

Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012

Novo livro de poesia - "o amor és tu"

O amor é intemporal. Imagina um livro que celebra isso mesmo: celebra a união, a beleza do encontro e a mágoa do desencontro que é só mais uma maneira de adiar a felicidade. Este livro reúne os poemas feitos à medida de todos nós. Nós que somos fortes por amor, fracos por amor, belos por amor, rudes por amor, loucos por amor e, quem sabe até, sábios por amor. Este livro exalta o amor. Se o acharem piegas é de propósito, se o acharem extremo é de propósito, se o acharem agressivo é de propósito, se o acharem desgovernado é de propósito, se o acharem ridículo é de propósito, se o acharem genial é de propósito, se o acharem perfeito é sem querer.
É a prenda justa para quem gostamos, é a prenda certa para quem gostaríamos de gostar, é a prenda exacta para quem ainda não conhecemos. É o livro do carinho dos corpos e da intelectualidade que todos têm à flor da pele.
É um livro de poemas de amor, uma antologia de poemas de amor. Só isso já bastaria, mas talvez seja muito mais.


Leia um excerto desta obra em http://www.saidadeemergencia.com

Livro em pré-lançamento, à venda a partir de 20 de Janeiro.

Sábado, 5 de Novembro de 2011

IV Prémio Internacional de Poesia ao Vídeo

"A tristeza" - poema de João Negreiros premiado.



A tristeza

A tristeza é uma irmã mais velha
que vive no quarto dos fundos           dos bolsos
sempre que não tenho trocos para lhe comprar uma cama de hotel
para poder vê-la feliz

as calças estão para lavar
as moedas tocam tambor
ou o leito de um rio que fica entre as almofadas do sofá

mana
vai-te embora que tenho saudades do meu quarto
quero dormir na minha cama

sabes
o sofá da sala tem um vale que me afunda as costas

mana
vá lá
pinta-te            sai à rua e arranja namorado

e tristeza partiu mesmo antes da morte chegar
o meu quarto está vazio              para sempre´

poema do livro "o cheiro da sombra das flores" de João Negreiros
à venda em livrarias e através de repeticao@gmail.com

Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011

o nadador




o nadador



foi visto um burocrata morto por não saber nada
a boiar de bruços com a cabeça enterrada na água
a exercitar as guelras do ar podre que lhe construiu as palavras sinceras com
[que enganou quem conheceu ao longe          da janela do avião
e          de longe          acenou a todos os que conhecia levando na mão a mala
[que tinha as esperanças que todos tinham em si
bóia um ladrão morto e o estilo é pouco ortodoxo
não mexe braços nem pernas
não respira nem ergue a cabeça
não faz rotações de tronco
não se mexe nem um milímetro
foi já ultrapassado por todos os concorrentes
e a água vai ficando escura da tinta que vai na mala          onde se escreveram
[os nomes dos que lhe confiaram as vidas
na pista sete bóia um burocrata rico que fugiu com a esperança
e ninguém se atreve a resgatá-lo
é que dá medo de olhar
dá medo de saber a expressão que levava quando percebeu que não ia ganhar
todos os nadadores já saíram da água
todos os nadadores já secaram o cabelo
todos os nadadores já receberam as medalhas
todos os nadadores já vestiram os fatinhos-de-treino
todos os nadadores já choraram a bandeira
e um chorou ranho também com o hino
ele continua lá
a piscina vai fechar
as luzes apagaram-se
e o da pista sete não tem direito a medalha
nem pode ir às olimpíadas porque já ninguém confia nele
nem sequer para conseguir os mínimos
a pista sete está a transbordar com as palavras que lhe disseram os amigos
[que ele iludiu para depois desiludir
e foi o dono de um molhe delas
um dos donos dos molhos de palavras que lhe fez a folha
que lhe levou o ar emprestado para compensar o papel
foi um deles que lhe deu as mais exigentes aulas de natação
aquelas em que é impossível levantar a cabeça e em que temos que nadar
[sempre submersos até bater com a cabeça desesperada na parede que sabe a [cloro
o burocrata bóia morto e quem o fez perder a prova foi um nome na pasta
há um nome a vermelho na pasta que está a esbater-se no mesmíssimo
[momento da culpa
o melhor amigo matou-o
o que lhe fez mais festas
o que lhe gabou mais as notas dos filhos
o que mais lhe respeitou a esposa
o que mais brindes lhe fez em delicados reveillons
o melhor amigo matou-o
o melhor amigo matou-o
foi o único que não aguentou perdê-lo
percebê-lo
conhecê-lo
era o único que não sabia
era o único que estava quase a meter os papéis para se promover a irmão
o melhor amigo matou-o porque a maior tristeza só nos pode ser dada por
[quem amamos mais          e mais          e mais          neste infinito que termina [desafiando a lógica que nos disseram os livros e os filmes de domingo à tarde [que vemos amparando meninos
o burocrata bóia morto e está na boca do mundo defunto porque levou para
[longe          numa pasta          as boas acções que se trocam agora por brinquedos [que só dão aos filhos dos pobres
o burocrata bóia morto e afoga o melhor dos amigos

poema do livro a verdade dói e pode estar errada, de João Negreiros,
à venda em livrarias e em http://www.saidadeemergencia.com/