No dia 11 de Fevereiro, às 22h, na Fnac do Norteshopping, decorrerá o espectáculo de lançamento do mais recente livro de João Negreiros: “o amor és tu” dedicado inteiramente ao amor e afins.
O espectáculo, que conta com a participação especial da Banda SpokenSong, é uma fusão de poesia, música e performance. A voz de João Negreiros, aliada à música ao vivo dos SpokenSong, dará cor e alma aos poemas do livro. “O amor és tu” é um livro de poemas de amor, uma antologia de poemas de amor. Só isso já bastaria, mas talvez seja muito mais.
O amor é intemporal. Imagina um livro que celebra isso mesmo: celebra a união, a beleza do encontro e a mágoa do desencontro que é só mais uma maneira de adiar a felicidade. Este livro reúne os poemas feitos à medida de todos nós. Nós que somos fortes por amor, fracos por amor, belos por amor, rudes por amor, loucos por amor e, quem sabe até, sábios por amor. Este livro exalta o amor. Se o acharem piegas é de propósito, se o acharem extremo é de propósito, se o acharem agressivo é de propósito, se o acharem desgovernado é de propósito, se o acharem ridículo é de propósito, se o acharem genial é de propósito, se o acharem perfeito é sem querer.
É a prenda justa para quem gostamos, é a prenda certa para quem gostaríamos de gostar, é a prenda exacta para quem ainda não conhecemos. É o livro do carinho dos corpos e da intelectualidade que todos têm à flor da pele.
É um livro de poemas de amor, uma antologia de poemas de amor. Só isso já bastaria, mas talvez seja muito mais.
a exercitar as guelras do ar podre que lhe construiu as palavras sinceras com
[que enganou quem conheceu ao longe da janela do avião
e de longe acenou a todos os que conhecia levando na mão a mala
[que tinha as esperanças que todos tinham em si
bóia um ladrão morto e o estilo é pouco ortodoxo
não mexe braços nem pernas
não respira nem ergue a cabeça
não faz rotações de tronco
não se mexe nem um milímetro
foi já ultrapassado por todos os concorrentes
e a água vai ficando escura da tinta que vai na mala onde se escreveram
[os nomes dos que lhe confiaram as vidas
na pista sete bóia um burocrata rico que fugiu com a esperança
e ninguém se atreve a resgatá-lo
é que dá medo de olhar
dá medo de saber a expressão que levava quando percebeu que não ia ganhar
todos os nadadores já saíram da água
todos os nadadores já secaram o cabelo
todos os nadadores já receberam as medalhas
todos os nadadores já vestiram os fatinhos-de-treino
todos os nadadores já choraram a bandeira
e um chorou ranho também com o hino
ele continua lá
a piscina vai fechar
as luzes apagaram-se
e o da pista sete não tem direito a medalha
nem pode ir às olimpíadas porque já ninguém confia nele
nem sequer para conseguir os mínimos
a pista sete está a transbordar com as palavras que lhe disseram os amigos
[que ele iludiu para depois desiludir
e foi o dono de um molhe delas
um dos donos dos molhos de palavras que lhe fez a folha
que lhe levou o ar emprestado para compensar o papel
foi um deles que lhe deu as mais exigentes aulas de natação
aquelas em que é impossível levantar a cabeça e em que temos que nadar
[sempre submersos até bater com a cabeça desesperada na parede que sabe a [cloro
o burocrata bóia morto e quem o fez perder a prova foi um nome na pasta
há um nome a vermelho na pasta que está a esbater-se no mesmíssimo
[momento da culpa
o melhor amigo matou-o
o que lhe fez mais festas
o que lhe gabou mais as notas dos filhos
o que mais lhe respeitou a esposa
o que mais brindes lhe fez em delicados reveillons
o melhor amigo matou-o
o melhor amigo matou-o
foi o único que não aguentou perdê-lo
percebê-lo
conhecê-lo
era o único que não sabia
era o único que estava quase a meter os papéis para se promover a irmão
o melhor amigo matou-o porque a maior tristeza só nos pode ser dada por
[quem amamos mais e mais e mais neste infinito que termina [desafiando a lógica que nos disseram os livros e os filmes de domingo à tarde [que vemos amparando meninos
o burocrata bóia morto e está na boca do mundo defunto porque levou para
[longe numa pasta as boas acções que se trocam agora por brinquedos [que só dão aos filhos dos pobres
o burocrata bóia morto e afoga o melhor dos amigos
poema do livro a verdade dói e pode estar errada, de João Negreiros,
João Negreiros nasceu em Matosinhos a 23 de Novembro de 1976.
O escritor português foi o primeiro classificado no Prémio Internacional OFF FLIP de Literatura (Brasil,2009).
Em Portugal, entre outros prémios, João Negreiros venceu o Prémio Nuno Júdice.
Na área do teatro, a sua obra foi crescendo, tendo hoje quatro peças editadas, “Silêncio” e “Os Vendilhões do Templo” (2007), “O segundo do fim” e “Os de sempre” (2008).
No âmbito da poesia, publicou três livros: “o cheiro da sombra das flores” (2007, Papiro Editora), seleccionado de entre as melhores obras de poesia ibérica publicadas entre 2007 e 2008 pelo Prémio Correntes d' Escritas de 2009, “luto lento” (2008, Papiro Editora) e “a verdade dói e pode estar errada” (2010, Camões & Companhia).
Em 2010, é editado também o primeiro livro de prosa do autor “O mar que a gente faz”.
Para além de escritor, João Negreiros é actor e tem divulgado a poesia nacional através de espectáculos e vídeos de spoken word. Em 2011, o artista foi o representante da Literatura Portuguesa na 7ª edição do conceituado Festival Internacional das Artes de Castela e Leão.
“Nesta obra encontramos mil e um tesouros, entre eles, a possibilidade de sonhar e voltar a ser criança. Não me recordo da última vez que um livro visitou de forma tão intensa os sentimentos da minha infância.” António Vilaça, Editor (2010, Camões & Companhia)
Livros editados - Poesia
“Parece tudo muito simples, sem qualidades, digamos assim, para usarmos uma expressão que já faz parte do nosso aparato crítico contemporâneo, mas não é. Um homem que manifesta uma relação tão sincera com a Língua Portuguesa só pode ser um verdadeiro poeta. E dizer isto é, para mim, dizer tudo”. António Manuel Ferreira - Prof. Doutor na Universidade de Aveiro (2010, Camões e Companhia)
Livros editados - Poesia - luto lento
«Tal como o seu livro anterior, luto lento não é apenas o Bilhete de Identidade de um grande poeta. É também o passaporte para um universo que tem, apesar de todas as fissuras dos anos, a capacidade de desenterrar os aromas, os sabores e as palavras como se tudo ainda soubesse a infância. Como se tudo ainda pudesse ser dito, escrito, com a voz e os gestos que libertamos quando todos os sonhos ainda são possíveis.» Miguel Carvalho, Jornalista da revista Visão (2008, Papiro Editora)
Livros editados - Poesia - o cheiro da sombra das flores
“Não é comum esta poesia hoje. Não é vulgar, no panorama de nova poesia portuguesa ou, se se quiser, na poesia portuguesa dos mais novos, esta coragem de enfrentar o leitor. Negreiros rasga, fere, incomoda, impacienta. (…) Os outros são, afinal, o alimento da sua poesia, ao contrário do culto narcisista da maior parte da poesia que hoje se faz e se divulga, quase toda já escrita e já lida, onde cada livro tem dificuldade em inovar, em criar diferenças. E é por isso que, citando-o, há sempre lugar para mais um. Mas um que é mais. Um cujo canto é livre em relação a si mesmo e em relação aos outros, um que sobressai do imenso Cancioneiro Geral e medíocre daqueles que não aprenderam ainda a decisiva lição de que se pode cantar com várias vozes na voz com um timbre único e original." Joaquim Pessoa, Poeta (2007, Papiro Editora)
Livros editados - Teatro
O segundo do fim & Os de sempre (2008, Edições TUM)
Livros editados - Teatro
Silêncio & Os Vendilhões do Templo - “Eis uma dramaturgia consciente dos seus poderes cénico-formais e poéticos, das situações que representa e do que nelas se faz matéria de questionamento ou ludicidade, emoção, desejo, compromisso ético. Criando engrenagens interlocutórias e dinâmicas de palco que levam a linguagem, não raro, a lugares de tensão e amenidade contrapostas, encontra nas personagens uma vocação de polifonia que os destinatários mais activos (os encenadores, desde logo) não deixarão de intuir e peculiarizar, num trabalho estético cujo relevo importará reconhecer. Ademais, há nestas peças uma voz em devir. Torna-se curial acompanhá-la.” José Manuel Mendes, Presidente da Associação Portuguesa de Escritores (2007, Edições TUM)